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Anyone in the world


From DIÁRIO DO COMÉRCIO

Esta nova fase da pandemia provocou muita insegurança em toda a comunidade acadêmica neste começo do ano letivo de 2022. Felizmente, a vacinação generalizada proporcionou um primeiro nível de proteção. Sabemos que mesmo com a onda Ômicron, a retomada das aulas é viável desde que sejam respeitados os protocolos sanitários que devem ser permanentemente informados a todos envolvidos neste ecossistema.

Porém, não são apenas os cuidados sanitários que preocupam. Voltaram à tona algumas dúvidas acerca da eficácia do modelo híbrido de ensino. Tenho estudado o tema antes mesmo de ser uma alternativa à necessidade de isolamento. Fato que muitos têm falado sobre este método de educação.

Vejo que, para além de ser uma nova forma de estudo, existe um problema em curso:  a propagação de uma definição incompleta sobre o que realmente é a educação híbrida. O termo parece ter se convertido em sinônimo de substituto de sala de aula. Não é. Por isso, começo, então, por este esclarecimento.

O termo “metodologia híbrida” vem da expressão inglesa “blended learning” e se refere aos cursos que conciliam o acesso remoto a aulas e recursos didáticos clássicos com a excelência do ensino presencial. Nessa modalidade, as atividades podem ser síncronas, assíncronas, virtuais e presenciais, segundo cada curso. É totalmente diferente das metodologias presencial e Ensino a Distância.

O formato híbrido foi projetado para possibilitar uma formação mais completa, interativa e personalizada porque emprega metodologias ativas de aprendizagem. Nesse sentido, o ensino híbrido tem como foco a personalização, considerando que os recursos digitais são meios para que o estudante aprenda, em seu ritmo e tempo, que possa ter um papel protagonista e que, portanto, esteja no centro do processo.

Para isso, as experiências desenhadas para o on-line, além de oferecerem possibilidades de interação com os conhecimentos e o desenvolvimento de habilidades, também oferecem evidências de aprendizagem. Para que este formato funcione é necessário:

– Contato – câmera aberta – estudante deve ser convidado a mostrar o rosto usando um papel de parede da escola para respeitar sua privacidade

– Participação – os alunos devem ser convidados a participar com perguntas no bate-papo;

– Treinamento – Professores devem ser treinados porque nem todas as metodologias podem ser transpostas ao digital;

– Tecnologia – De plataformas grátis às pagas, internet estável e materiais digitais bem produzidos e consistentes são fundamentais para que a educação híbrida funcione;

– Presença – Encontros presenciais interessantes para valorizar e criar os ambientes presenciais pertinentes à cada curso.

Veja que quando se define bem o propósito do ensino híbrido pode-se enxergar melhor sua funcionalidade. A modulação da quantidade de pessoas, aulas e períodos presenciais e virtuais é uma delas.  Na faculdade onde sou reitora, a SKEMA Business School, por exemplo, passamos um longo período exclusivamente com aulas remotas. Hoje, com autorização do Conselho Nacional de Educação, optamos pelo ensino híbrido para resguardar alunos em grupo de risco.

Podemos fazer um rodízio que mantenha as distâncias de segurança, permitindo encontros seguros. Consideremos estes processos fundamentais para o conhecimento disruptivo ao qual a instituição se propõe. Estou convencida da importância de manter estas oportunidades de encontros nas escolas, a fim de garantir a vida social das escolas e universidades tanto quanto possível.

Estamos dentro de todas as regras sanitárias adequadas ao momento.  E já temos experiência com esse formato híbrido porque nossos alunos estão hiperconectados em nossos 7 Campi no mundo. Assim, já tínhamos em nossas mãos o conhecimento e os instrumentos para adotar esse formato. Seguiremos avaliando e escolhendo a educação híbrida quando ela for o melhor caminho para a educação segura e eficaz.

O mundo da educação está fazendo seu melhor para se adaptar a esses novos contextos a fim de continuar a cumprir sua missão de ensino. As escolas, professores, alunos e suas famílias tiveram que se adaptar para viver essas novas experiências de aprendizagem.

Só vamos avançar em metodologias e na transformação do conhecimento quando todos estiverem aptos ao modelo. E para tal, precisamos praticá-lo. E, para tal, é necessário preparar permanentemente os docentes para futuros desenvolvimentos, reconhecendo a permanência do professor como um jogador-chave no mundo da educação. Sua profissão está mudando, mas mantém toda sua nobreza, uma vez que se trata de transmitir e cocriar conhecimento com os participantes na sala de aula. Não existe uma receita única, especialmente, em tempos desafiadores. Mas com foco em uma proposta compartilhada: não deixar de ensinar os jovens, seguiremos incansáveis.